Sobre os caminhos da esquerda no próximo (logo ali) período * Por Wanderson Pimenta

Sobre o que me parece ser a tarefa da esquerda nos próximos meses está, centralmente, a mobilização de massas como exercício político-pedagógico de formação de uma ampla base coesa em defesa das liberdades democráticas e com franca disposição para denunciar o golpe. Se estamos conseguindo “colar” nos setores favoráveis ao impeachment a tarja de “golpistas” muito se deve as movimentações dos últimos 60 dias (utilizando como marco simbólico o dia da “condução coercitiva” de Lula).
Contudo, após o espetáculo de horrores do dia 17 de abril na Câmara dos Deputados e do cenário desfavorável que se desenha no Senado, parte da esquerda se apressa em apontar possíveis rumos para o movimento de massas.
Primeiro segmentos que se arvoram legítimos herdeiros dos “escombros” da esquerda institucional. Em segundo lugar, atores e atrizes que preferem trabalhar com o cenário de uma formação de um novo tipo de organização que bem poderia ser uma Frente ou similares. Reconheço que todas essas movimentações são absolutamente legítimas muito embora nenhuma delas corresponda 100% aos desejos daqueles e daquelas que estiveram nas ruas denunciando o golpe e reivindicando direitos.
Nos últimos dias, valorosos companheiros e companheiras começaram a defender a tese das “eleições presidenciais antecipadas”. Essa manobra encontra respaldo em setores do PT e no PCdoB.
Em nossa modesta avaliação defender eleições presidenciais agora é uma manifestação de idealismo. Quando nos colocamos mais uma vez na condição de crentes nos processo eleitoral como via prioritária para derrotar o golpismo estamos desprezando a potencialidade de um trabalho de massas que possa vir a derrubar um eventual governo ilegítimo de Cunha/Temer/PSDB. Estamos, mais uma vez, manifestando confiança nesse sistema político corrupto e de cartas marcadas. Nesse momento, quando o golpe pode vir a se consolidar mas que muita água deve correr ainda por debaixo da ponte, é nossa função denunciar o caráter reacionário da ruptura institucional em curso.
Em um futuro Governo ilegítimo é fundamental que o movimento de massas possa trabalhar na perspectiva da derrubada do mesmo. Não existe possibilidade de reconhecimento ou de diálogo. Nesse cenário de luta política e acirramento é central o chamamento para “eleições gerais” como uma das nossas bandeiras democráticas prioritárias. Nota-se que não apenas eleições presidenciais mas eleições em todos os níveis de representação. Assim, também é prioridade a convocação de Assembleia Geral Constituinte que possa conformar um novo Estado para um novo tempo.
Mas até lá insistimos na denúncia do golpe, na manutenção do mandato popular duramente conquistado nas urnas, na prisão de Eduardo Cunha e na declaração de nulidade do processo de impeachment pelo Supremo Tribunal Federal.
* Wanderson Pimenta é Advogado, e militante do Coletivo O Estopim!

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