Avaliação do Coletivo O Estopim! sobre o 5º Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE


          Ocorreu neste último fim de semana, na Universidade Federal da Bahia – UFBA, em Salvador, a 5º edição do Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas (ENUNE) da União Nacional das/os Estudantes (UNE). O evento, que comemorou 10 anos nessa edição, teve como tema “A minha presença te incomoda? Conquistar direitos e afrontar o racismo”.

A escolha da cidade não poderia ter sido melhor. Salvador, cidade mais negra do mundo fora da África, possui, segundo dados do último Censo do IBGE, maioria absoluta de negros e pardos, bem como uma ancestralidade africana forjada através de muita organização e resistência do povo negro. Aqui se respira, desde sempre, muita luta!

Segundo os organizadores, aproximadamente 2.000 estudantes de todo o Brasil estiveram presentes no espaço – um dos maiores da historia. Foi nítido perceber o crescimento do número de encontristas nesta edição. Isso demonstra, na prática, que o processo de enraizamento da discussão racial para dentro da UNE, das forças políticas que a disputam e na base do movimento estudantil, apesar de lento, está sim dando frutos. E bons frutos.

Porém este crescimento, na nossa leitura, não se materializou na elevação do nível do debate apresentado no encontro. Acreditamos que a programação – bastante enxuta para uma discussão tão ampla e com tantos recortes – mesmo compreendendo o complexo momento de crise econômica mundial, foi muito aquém das nossas expectativas. Esperávamos mais. E o reflexo disso, somado a outros fatores, a exemplo da questão estrutural, responsável por sérios percalços durante o espaço, é traduzido no texto base do encontro, a Carta de Salvador.

Acreditamos que o ENUNE deve se colocar enquanto um espaço de formulação de diretrizes que norteie as ações dos pretos e das pretas nos espaços de disputa do movimento estudantil, bem como contribuir para o enraizamento do debate racial no meio acadêmico.

A grande divergência do 5º ENUNE se deu por conta da proposta de plebiscito por novas eleições. Acreditamos que a defesa do plebiscito neste momento legitima o golpe parlamentar-midiático-jurídico em curso no Brasil. A luta agora, na nossa avaliação, tem que ser pelo retorno de Dilma Rousseff ao seu lugar de direito, a Presidência da República, e que a mesma execute o programa eleito nas urnas em 2014.

Modestamente a discussão racial vem amadurecendo para dentro da União Nacional dos Estudantes. Porém julgamos que é preciso tencionar mais o conjunto das forcas, sobretudo os/as camaradas da UJS, força que dirige a UNE ha décadas, para que a entidade coloque como centralidade a questão racial para dentro da UNE.

Apesar dos problemas estruturais e da falta de proposições mais objetivais e críticas, sobretudo no tocante a política genocida promovida por muitos governos, inclusive os petistas, apesar de reconhecermos os inegáveis avanços nos últimos anos para a população negra, avaliamos que o 5º ENUNE cumpriu um papel importante no sentido de acumular forças para as lutas que virão.

A grande manifestação de encerramento – o ato contra o genocídio da população negra – tomou as ruas da capital baiana e contribuiu para que pudéssemos dialogar com a população acerca da importância do empoderamento e da necessidade da auto-organização da juventude negra.

Coletivo O Estopim! Incendiando Corações e Mentes por uma ampla e irrestrita reparação/justiça social ao povo preto!

 

 

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